Exército 3 x 0 Providência

Tinha três ou quatro assuntos para escrever, mas ai chegou o texto do colecionador de pedras Sérgio Vaz sobre a atitude do exército no morro da Providência. Entregar para traficante nem o Capitão Nascimento conseguiu. Bateu a culpa e ele voltou atrás do corpo no morro. E isso, teoricamente, era ficção. Faço minhas as palavras do Sérgio:

“Exército 3 x 0 Providência – Sérgio Vaz

Nos últimos dias muito tem se falado sobre 1968, ano em que a juventude do mundo, sobretudo no Brasil, resolveu incendiar o planeta com a fúria e indignação contra o sistema vigente no universo. Armados de utopias e ao som de músicas de protesto, os jovens brasileiros foram às ruas exigirem o fim da ditadura e a volta da liberdade de expressão.
Mas o governo militar, para acabar com o suposto plano comunista de comandar o país, criou o Ato Institucional nº5, o terrível AI-5, baixado no dia 13 de dezembro de 1968, e que permaneceu forte durante 10 anos, os temíveis anos de chumbo da história brasileira.
Estão sendo programados vários eventos, livros e debates para lembrarem essa época em que a ditadura militar não admitia vozes contrárias ao seu governo. Enfim, quem tiver a fim de conhecer um
pouco dessa história, sugiro várias leituras, mas principalmente o livro “1968 o ano que não acabou” do jornalista Zuenir Ventura, entre tantos outros sobre o tema.
Mas já que vários ex-carbonários resolveram lembrar esse tempo de luta, quarenta anos depois, o exército brasileiro também resolveu lembrar seus tempos áureos de baionetas em punho. Nesta semana que passou, onze deles, de sentinelas no morro da Providência/RJ prenderam três jovens moradores da favela, por desacato à autoridade.
Como o superior não quis prendê-los, o oficial inferior desacatou às ordens oficiais e sequestrou os três insurgentes favelados, e conforme ele mesmo relatou, os jovens foram entregues de presente, aos
traficantes do morro da Mineira (ADA), rivais do morro da Previdência (CV), e que por isso teriam sido executados. Sei não, essa história está meio camuflada.
Pois é, o exército brasileiro, quarenta anos depois resolveu dar as caras (ou armas), e terceirizou a tortura e o assassinato. Não é a primeira vez que o EB atormenta o morro da Providência,lembram quando o quartel foi assaltado? E isso aí, orgulho ferido nãose cura fácil meu compadre.
Quer sejam nos morros cariocas ou nas palafitas nordestinas, essas histórias de dor e sofrimento parecem que não têm fim na vida das pessoas simples do país.
Eu só queria entender, “Por quê tanto ódio ao povo da periferia?”
Quarenta anos atrás muitos lutaram por liberdade de expressão, oras,
então por quê não se expressam nesse momento?
Vamos fazer de conta que esses três jovens são brancos e da classe média. Vamos abraçar a Lagoa Rodrigo de Freitas. Chama a Hebe, a Ivete. Vamos para a Paulista. Vamos usar fitinha branca para pedir paz. Vamos criar um ONG para salvar a vidas dos pobres em extinção.
Ué, cadê todo mundo porra?
“É né, quando morre pobre ninguém quer?!”
O Silêncio é mais covarde e violento do que bala de fuzil.
Sei que ninguém está me escutando, mas as favelas estão sangrando e as mães choram seus filhos mortos nas vielas, abandonados pelo descaso dessa elite que segura a baioneta, e finge que não vê, mesmo quando o sangue escorre sobre seus pés.
Não tenho tempo para orações, esse país, nem cristo salva.

*Obs. minha caneta está carregada até a boca.”

2 Respostas

  1. Renata,

    valeu pelo respeito.
    Valeu pela gentileza.

    Que as ruas te abençoem!

    Abs.

    Sérgio Vaz
    Cooperifa

  2. Olá, Sergio!

    Como vai?

    Preciso tirar algumas dúvidas com vc, gostaria que me passasse um email ou telefone para contato.

    Obrigada!
    Daniele Cristina dos Santos
    d.cristina@comunique-se.com.br
    (11)3897-0873

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